A tensão da luta pela terra no Baixo Parnaíba maranhense atingiu um novo patamar de violência no último domingo (09). Um morador do povoado São João Torada, em Magalhães de Almeida (MA), foi vítima de uma tentativa de homicídio com uso de veículo, num claro ataque de retaliação por ter denunciado um incêndio criminoso em sua propriedade. O caso é o capítulo mais recente de uma guerra pelo território, marcada por grilagem, intimidação e conivência do velho Estado.
O Ataque
Tudo começou com um incêndio. O camponês, com a ajuda de vizinhos, conseguiu controlar as chamas que consumiam sua roça. Na sequência, decidiu buscar ajuda das autoridades no município vizinho de São Bernardo. No caminho de volta, próximo ao assentamento Casa das Abéias, a perseguição começou. Um veículo passou a segui-lo de forma agressiva e, em um ato de extrema violência, avançou deliberadamente sobre ele, arremessando-o para dentro do matagal. Para salvar a própria vida, o camponês viu-se forçado a fugir pela mata.
O Pano de Fundo: Conflitos Agrários e o Avanço da Grilagem
A violência se insere no contexto dos recorrentes conflitos agrários que assolam os municípios do Baixo Parnaíba maranhense, uma região que inclui cidades como Água Doce do Maranhão, Araioses, Magalhães de Almeida, Santa Quitéria do Maranhão, Santana do Maranhão e São Bernardo.
Nesta área, o avanço do latifúndio – com destaque para a monocultura de eucalipto – e a mineração avançam sobre terras de comunidades tradicionais e pequenos camponeses. As disputas se manifestam através de:
Invasão e grilagem de terras.
Desmatamento e queimadas criminosas.
Uso de agrotóxicos que poluem solo e água.
Ameaças constantes e insegurança alimentar.
Moradores apontam que a tensão na região tem se agravado há meses, citando a atuação de um indivíduo conhecido como Antônio João. Ele é indicado pelos camponeses como o principal responsável por intimidações, destruição de cultivos e atos de destruição do meio natural, autoproclamando-se proprietário de terras que as comunidades ocupam há décadas.
O caso ganhou contornos ainda mais graves com a circulação de imagens que mostram o ex-prefeito de São Bernardo, João Igor – sobrinho do atual prefeito, Chico Carvalho – em visita ao suposto grileiro. Para as lideranças locais, o episódio é a evidência máxima da conivência entre o velho Estado e os interesses privados que ameaçam a permanência das famílias na terra. Durante seus oito anos de governo, João Igor já era criticado pela omissão cúmplice diante dos conflitos agrários.

O ataque de domingo fez ecoar o grito de alerta que já vinha sendo dado por associações comunitárias. Diante da escalada da violência, as comunidades do Baixo Parnaíba reafirmam sua disposição de resistir.
Para eles, a defesa do território transcende até mesmo a produção agrícola; é a preservação de sua história, cultura e modo de vida. As lideranças seguem exigindo do velho Estado a responsabilização dos agressores, utilizando a omissão cúmplice deste como incremento político para a mobilização dos camponeses.
Com informações: A Nova Democracia



